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Luciana Stegagno Picchio

«Sempre com o seu cachimbo, o seu charme com as mulheres [...] Mais de que o ensaísta ou o romancista – e gosto muito do seu romance Um Amor Feliz – para mim ele é sobretudo um poeta».

Manuel Alegre

Para David Mourão-Ferreira

Ninguém sabe cantá-la como tu / a deusa da serpente Eva chamada / ninguém sabe vestir seu corpo nu / de versos onde está sempre enroscada. // Ninguém sabe dizê-la tão vestida / como sua estrela e sua Europa /sua maçã escurecida /sua nudez absoluta / e sua roupa /seu manto de rainha sua puta. // Seu gesto de ternura sua fera sua subida no céu e sua queda / a rosa da primeira primavera / a pele despida quase como seda. // Ninguém como tu sabe dizer / o encontro desencontro do amor / e esse jogo de festa e de prazer / que também é dor.

Lisboa 23.4.96

Vasco Graça Moura

David

relembro o que escreveu: as suas rimas / nítidas de aço e dúcteis como a pele,/encontros, desencontros, corpos que ele / despia e enredava nas esgrimas // de angústias e palavras (aproxima-as /o jogo aliterado mas cruel /do cursivo do tempo no papel / a amalgamar memória e tensos climas),// e o perseguido amor em seus contrários,/ como um rosto perdido que era o seu / procurando o fulgor e o sentido // que outros rostos lhe davam e esses vários / relances em que acaso apercebeu / que era ele e não era, reflectido.