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DAVID MOURÃO-FERREIRA

CRONOLOGIA

1927 - DMF nasce em Lisboa a 24 de Fevereiro, na rua Joaquim Casimiro junto ao Tejo. É o primogénito de Teresa de Jesus Mourão-Ferreira e de David Ferreira, colaborador da revista "Seara Nova" e funcionário da Biblioteca Nacional de Lisboa há pouco afastado do seu cargo por ter participado com Jaime Cortesão, António Sérgio, Aquilino Ribeiro, Raul Proença na fracassada revolta antifascista de 7 de Fevereiro.

1929 - Nasce Jaime Alberto, o irmão de David.

1942 - Em 22 de Maio no Colégio Moderno - onde estudou desde o ensino primário - fundado e dirigido por Dr. João Soares, DMF apresenta a comunicação Antero, Poeta e Homem de acção, iniciando assim a sua longa e prestigiada actividade de conferencista. Nesta sua primeira experiência juvenil está ao seu lado, com a tarefa de recitar as poesias de Antero, o colega de escola Mário Soares, futuro Presidente da República. O jornal escolástico "Gente Moça" publica os seus primeiros artigos.

1945 – Inicia a sua carreira literária com a publicação das suas primeiras poesias na Revista “Seara Nova”. Inscreve-se na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde estreitará laços de amizade com grandes personalidades da cultura portuguesa contemporânea como Vitorino Nemésio, Hernâni Cidade, Andrée Crabbé Rocha, Maria de Lourdes Belchior, Jacinto do Prado Coelho, os quais exercerão um papel determinante na sua formação pessoal e académica. Inscreve-se no MUD (Movimento de Unidade Democrática) e luta pela liberdade eleitoral. Ao mesmo tempo aproxima-se de obras de grandes escritores do modernismo português e europeu como Paul Valery, André Gide, Marcel Proust, Valery Larbaud, Leo Spitzer, Ernst Cassirer.

1946 - Colabora na revista “Seara Nova” e “Aqui e Além” com ensaios sobre Pessoa, Jean Paul Sartre e André Gide.

1947 – Estreita laços de amizade com os escritores José Régio, José Rodrigues Miguéis, António Manuel Couto Viana. Chega a fazer parte do grupo de intelectuais que se reúne no primeiro andar do Café Chave d'Ouro. Publica em "Seara Nova" um ensaio sobre M. Teixeira-Gomes.

1948 – Começa a fazer parte como autor e actor – exibindo-se em papéis da comédia da arte - do Grupo de Teatro da Rua da Fé e participa no movimento do Teatro-Estúdio do Salitre, a primeira tentativa séria de teatro experimental em Portugal. Aqui vê ser representado o seu poema dramático Isolda. Frequenta um curso de verão na Sorbona juntamente com Maria de Lourdes Belchior, Matilde Rosa Araújo e António Coimbra Martins.

1949 - Na revista "Ocidente" publica o ensaio Acerca de uma Trajectória na poesia de Cesário Verde. Estreita amizade com Fernanda Botelho e Henrique Segurado.

1950 - Sai o primeiro dos 20 números de "Távola Redonda", a revista de poesia que DMF fundou e dirigiu até 1954 com textpopup: images/stories/immCronologia/CoutoViana.jpg,António Manuel Couto Viana,Com António Manuel Couto Viana e
António Vaz Pereira na altura de Távola Redonda} e Luiz de Macedo. Nos seus poucos mas intensos anos de vida, a revista assumirá um papel de primeiro plano na difusão da poesia e dará conhecimento de alguns dos poetas mais representativos da "Geração de 50" como Daniel Filipe, Egito Gonçalves, Fernanda Botelho, Sebastião da Gama, Alfredo Margarido. Publica o seu primeiro volume de poesias: A Secreta Viagem, sendo a sua primeira recensão efectuada por Urbano Tavares Rodrigues. É o início de uma imperecível amizade entre dois escritores. No Teatro-Estúdio do Salitre é representada a sua comédia num acto Contrabando. Interpreta o papel de protagonista na comédia Jean de la Lune di Marcel Achard.

1951 - Licencia-se em Filologia Românica com uma tese sobre Sá de Miranda. Ensina na Escola Comercial de Veiga Beirão e no Liceu de Pedro Nunes. Apesar de o serviço militar o ter conduzido a Mafra e a Portalegre, publica poesias e ensaios em revistas como “Árvore”, “Tetracórnio” e "Távola Redonda" onde continua a sua actividade como director. Inicia uma longa colaboração com a intérprete de fado Amália Rodrigues, para a qual escreve os textos dos fados Abandono - mais conhecido como Fado Peniche - Barco Negro, Maria Lisboa, Madrugada de Alfama, Aves Agoirentas (Rendição), Libertação, Primavera, etc.

1952 - Em Portalegre, onde cumpre serviço militar, convive assiduamente com José Régio e continua a escrever para a revista "Árvore", "Seara Nova" e "Távola Redonda". Ensina, até 1957, na escola secundária.

1953 - Casa-se com Maria Eulália Barbosa de Carvalho. Desta união nasceram David João (1954) e Adelaide Constança (1957). Publica poesias, ensaios e traduções de poesias de Catullo em várias revistas e integra a redacção de "Seara Nova".

1954 - Tempestade de Verão (poemas) confere-lhe o prémio “Delfim Guimarães" atribuído por um júri do qual fazia parte Sophia de Mello Breyner Andresen, Tomaz Kim e Cabral do Nascimento. "Diário Popular" concede-lhe a rubrica de crítica de poesia da qual se ocupará até 1957.

1956 – Escreve até 1957 nas revistas "Graal", “Vértice” e em jornais como “Diário Popular” e “O Primeiro de Janeiro”. Inicia a sua amizade com Natália Correia.

1957 - É Professor Assistente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É-lhe confiada a Cátedra de Teoria da Literatura e de Literatura Portuguesa, que manterá até 1963.

1958 – Publica Os Quatro Cantos do Tempo (poemas).

1959 - São publicados os contos de Gaivotas em Terra premiados pela Academia das Ciências de Lisboa com o "Prémio Ricardo Malheiro", ainda que tenham sido considerados textos pornográficos e subversivos.

1960 – Publica Vinte Poetas Contemporâneos (ensaios) e À Guitarra e à Viola (poemas) em que reúne também letras de fados cantados e celebrizados por Amália Rodrigues. Neste período e sucessivamente entre 1969 e 1971, colabora no Dicionário de Literatura dirigido por Jacinto do Prado Coelho.

1961 – Publica Aspectos da Obra de M. Teixeira-Gomes (ensaios).

1962 - Publica In Memoriam Memoriae (poemas); Motim Literário (ensaios) e O Viúvo (conto), incluído, a partir de 1968, em Os Amantes.

1963 - Publica Infinito Pessoal ou A Arte de Amar (poemas). Despoletaram medidas repressivas contra o jovem intelectual acusado de ter apoiado a candidatura do General Humberto Delgado à Presidência da República. A Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa não lhe renova o contrato de Professor Assistente. Colabora na Enciclopédia Verbo. É eleito Secretário-Geral da Sociedade Portuguesa de Autores.

1964 - Com os programas radiofónicos Música e Poesia e Hospital das Letras iniciou a sua colaboração com a RTP (Rádio Televisão Portoguesa) e com a Emissora Nacional de Radiodifusão. É projectado Fado Corrido (com realização de Jorge Brun do Canto), filme interpretado por Amália Rodrigues retirado do conto “Agora o Fado Corrido" de Gaivotas em Terra.

1965 - É afastado da RTP e da Emissora Nacional devido aos seus enérgicos protestos contra o encerramento da Sociedade Portuguesa de Escritores ordenado por Salazar em sinal do desrespeito pela entrega de um prémio ao escritor José Luandino Vieira, na época preso no campo de concentração do Tarrafal em Cabo Verde. É nomeado Secretário-Geral da Sociedade Portuguesa de Autores, cargo que manterá até 1974. Publica a peça teatral em dois actos O Irmão, que traduz para um contexto moderno a tragédia de Orestes e de Electra. É-lhe atribuído o prémio "Teatro da Casa da Imprensa". Em Agosto realiza uma viagem à Grécia e visita pela primeira vez, ainda que apenas de passagem, Itália. Visita Roma, Florença e Milão. É o início de um longo e duradouro amor pelo Bel Paese.

1966 – Publica Do tempo ao Coração (poemas) e Hospital das Letras (ensaios). Escreve o prefácio para a Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica de Natália Correia. O volume, objecto de fortes censuras "por imorais razões morais", suscitará um grande escândalo arrastando para um tribunal especial a autora - que será condenada - o prefaciador e o editor. Casa-se em segundas núpcias com Maria do Pilar de Jesus Barata.

1967 – Publica A Arte de Amar (antologia poética). Em Março volta a Itália pela segunda vez onde permanece durante alguns dias em Roma.

1968 – Publica Os Amantes (contos). Retorna a Itália: Roma, Nápoles, Sorrento, Capri, Perugia, Assis, Rimini, San Marino, Ravenna, Bolonha, Ferrara, Veneza. Lugares que o inspirarão para Discurso Directo.

1969 - Publica Lira de Bolso (antologia poética) e Discurso Directo (ensaios), recolha de ensaios muitos dos quais dedicados a Itália; Tópicos de Crítica e de História Literária (ensaios); colabora com Natália Correia na tradução e publicação de A Arte de Amar de Ovídio para a qual escreve também o prefácio. Começa a sua colaboração no programa televisivo Imagens da Poesia Europeia cujas traduções serão publicadas sucessivamente, só em parte, em volumes e recentemente reunidas em "Colóquio/Letras". Passa uma outra semana em Roma.

1970 - É reintegrado nas funções de docente da Universidade de Lisboa - sem a necessária autorização da PIDE - pelo ministro da Educação Nacional José Hermano Saraiva.

1971 - Publica a obra in progress Cancioneiro de Natal (poemas).

1972 – Com Cancioneiro de Natal vence - sem ter concorrido - o "Prémio Nacional de Poesia". Publica a antologia Imagens da Poesia Europeia, vol. I.

1973 – Publica uma nova recolha de poesias: Matura Idade. O governo francês distingue-o com a condecoração de “Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres”. Entre Setembro e Outubro realiza outra visita a Itália: Milão, Bergamo, Vicenza, Verona, Pádua, Trieste, Veneza, Trento.

1974 – Publica Os Amantes e Outros Contos (contos) e Sonetos do Cativo (poemas). É novamente testemunha num processo por pornografia desta vez em defesa de Maria Teresa Horta. Na mira da censura, apesar dos protestos de muitos intelectuais de várias partes do mundo, estavam as "tre Marie" devido à publicação de Novas Cartas Portuguesas. No dia 25 de Abril a queda do regime fascista, surpreende-o em Arezzo, onde estava a representar a Academia das Ciências nas comemorações do centenário da morte de Petrarca. De regresso a Portugal, assume a direcção do jornal "A Capital" que manteve até 1975. Em Setembro regressa novamente a Itália.

1975 - No fim de Setembro visita uma vez mais a cidade de Roma, onde inaugura duas exposições de arte portuguesa contemporânea. É nomeado Director adjunto do jornal "O Dia", com a direcção de Vitorino Nemésio, cargo que manterá até 1976.

1976 - É nomeado Secretário de Estado da Cultura no sexto Governo Provisório e no primeiro (1976-1977) e quarto (1979) Governo Constitucional. Neste clima de instabilidade política desenvolve até 1979 uma intensa actividade de promoção da cultura portuguesa e dos escritores Miguel Torga, Vitorino Nemésio, Alexandre Herculano, Teixeira de Pascoaes. Publica As lições do Fogo (poemas), Sobre Viventes (ensaios). É designado no Brasil como Grã Cruz da Ordem de Rio Branco.

1977 - Morre o irmão Jaime Alberto. Publica Presença da “Presença” (ensaios). Em Outubro passa uma semana em Itália, detendo-se em Roma, Génova e Milão.

1978 – Publica Órfico Ofício (poemas). Apresenta em Roma e em Paris a edição de Cartas de Amor de Fernando Pessoa dirigida por ele em colaboração com Maria de Queirós. Dirige para a editora Bertrand a edição das Obras completas de Vitorino Nemésio, a cargo dos herdeiros do escritor. Em Setembro, visita a Sicília e dois meses depois volta novamente a Roma.

1979 - Sai Lâmpadas no Escuro (ensaios) e Portugal, a Terra e o Homem: Antologia de Textos de Escritores do Século XX, da qual foi responsável pela 1ª, 2ª e 3ª série do II vol. (1979-1981).

1980 - A Livraria Bertrand publica em 2 volumes Obra Poética (que reúne as recolhas À Guitarra e À Viola e Ófico Óficio). Saem Entre a Sombra e o Corpo, (poemas), Ode à Música (poemas) e As Quatro Estações (contos), este último premiado no ano seguinte com o "Prémio da Crítica do Centro Português da Associação Internacional dos Críticos Literários".

1981 - Assume a direcção do sector «Bibliotecas Itinerantes e Fixas» da Fundação Calouste Gulbenkian.

1983 – Alguns dos seus textos são adaptados para o cinema e para a televisão como por exemplo, Aos Costumes Disse Nada, adaptado pelo cinema por José Fonseca e Costa com o título Sem Sombra de Pecado e Um Amor Feliz no qual DMF interveio como actor.

1984 – É eleito presidente da "Associação Portuguesa de Escritores" para o biénio 1984-86. Assume o cargo - mantendo-o até 1992 - de vice-presidente da "Association Internationale des Critiques Littéraires". É-lhe confiada a revista "Colóquio/Letras" dirigida por ele durante 12 anos.

1985 – Publica Os Ramos Os Remos (poemas).

1986 - Sai o seu único romance Um Amor Feliz distinguido com o "Prémio de Narrativa do Pen Clube Português", "Prémio D. Diniz da Fundação Casa de Mateus", "Prémio de Ficção do Município de Lisboa", "Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores", etc.

1987 – Publica O Corpo Iluminado, um livro de poesias baseadas nos desenhos do escultor Francisco Simões, Duas Histórias de Lisboa (contos) e O Essencial sobre Vitorino Nemésio (ensaios).

1988 – Sai Obra Poética 1948-1988 - que recolhe todas as poesias já publicadas anteriormente e a mais recente No veio de cristal – premiado com "Grande Prémio Inasset de Poesia". Publica Marguerite Yourcenar: Retrato de uma Voz (ensaios) e Nos Passos de Pessoa (ensaios), este último que lhe vale o prémio "Jacinto do Prado Coelho". Sai a 2ª ed. revista e aumentada de O Irmão.

1989 - Publica as recolhas de ensaios Os Ócios do Ofício, Sob o Mesmo Tecto: Estudos Sobre Autores de Língua Portuguesa, e Magia, Palavra, Corpo: Perspectiva da Cultura de Língua Portuguesa.

1991 - É nomeado presidente do Pen Club Português.

1992 – Publica Lisboa. Luzes e Sombras (poemas) em colaboração com o fotógrafo Pepe Diniz, Maria da Luz (antologia de contos), Arte de Amar (antologia poética), Terraço Aberto (crónicas e ensaios) e Tópicos Recuperados: Sobre a Crítica e Outros Ensaios (ensaios).

1993 - Sai o livro de aforismos Jogo de Espelhos. Reflexos para um auto-retrato.

1994 - Publica Música de Cama (poemas), uma antologia de poesias “eróticas” seguida da epónima recolha inédita.

1995 - É atingido por uma grave doença contra a qual luta com determinação. Saem na "Colóquio/Letras" as Rime Petrose (poemas) que reúnem também poesias de época precedente. Publica o CD-ROM Monumento de Palavras, uma recolha de 35 poesias lidas pelo autor destinadas a recolher fundos a favor da Cruz Vermelha Portuguesa.

1996 - Recebe o “Prémio de Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores”. É condecorado com a Grã-Cruz de Santiago de Espada. No dia 16 de Junho adormece para sempre em Lisboa. Depois das orações fúnebres realizadas pelo seu amigo de sempre Urbano Tavares Rodrigues, é sepultado no Cemitério dos Prazeres.